> TUDO MUITO LINDO


Lidiane aninhasarmento1@hotmail.com


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Créditos

Tenho tanto sentimento...

Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.
Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.


(Fernando Pessoa)

:: Postado por LIDIANE às 21h15
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Resolvi colocar aki algumas histórias q eu adoro, e essa é uma delas...

O Pequeno Príncipe

-Bom dia - disse a raposa
-Bom dia - respondeu educadamente o pequeno príncipe.- Quem és tu? Tu és bem bonita...
-Sou uma raposa
-Vem brincar comigo - propôs ele. - Estou tão triste...
-Eu não posso brincar contigo - disse a raposa. - Não me cativaram ainda.
-Ah! Desculpa. Que quer dizer cativar?
-Tu não és daqui. Que procuras? - disse a raposa
-Procuro os homens. Que quer dizer cativar?
-É algo quase esquecido - disse a raposa. - Significa "criar laços"...
-Criar laços?
-Exatamente. Tu não és ainda para mim senão um garoto igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidades um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
-Começo a compreender - disse o pequeno príncipe. - Existe uma flor...eu creio que ela me cativou...
-É possível - disse a raposa - vê-se tanta coisa na terra...
-Oh! Não foi na terra - disse o principezinho
-Num outro planeta?
-Sim.
A raposa retomou seu raciocínio:
-Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens também. E isso me incomoda um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. Os teus me chamarão para fora da toca, como se fosse música. E depois olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim não vale de nada. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos dourados. Então, será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa calou-se e observou por muito tempo o príncipe:
-Por favor...cativa-me! - disse ela
-Eu até gostaria - disse o principezinho -, mas não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
-A gente só conhece bem as coisas que cativou - disse a raposa. - Os homens não tem mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já pronto nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
-Que é preciso fazer? - perguntou o príncipe
-É preciso ser paciente - respondeu a raposa - Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás um pouco mais perto...
No dia seguinte o príncipe voltou.
-Teria sido melhor se voltasses a mesma hora - disse a raposa. - Se tu vens, por exemplo, às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar meu coração...É preciso que haja um ritual.
Assim o pequeno príncipe cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
-Ah! Eu vou chorar
-A culpa é tua - disse o principezinho. - Eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
-Quis - disse a raposa
-Mas tu vais chorar! - disse ele
-Vou - disse a raposa
-Então, não terás ganho nada!
-Terei sim - disse a raposa - por causa da cor do trigo
-Adeus... - disse ele
-Adeus - disse a raposa - eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.
-O essencial é invisível aos olhos - repetiu o principezinho, para não se esquecer.
-Foi o tempo que perdeste com tua rosa que a fez tão importante.
-Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... - repetiu ele, para não se esquecer.
-Os homens esqueceram essa verdade - disse ainda a raposa - Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela tua rosa...
-Eu sou responsável pela minha rosa... - repetiu o principezinho, para não se esquecer...

:: Postado por LIDIANE às 22h04
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